Ogg o quê? Pode perguntar: é isso o que você mais vai ouvir ao indagar de seus amigos o que é Ogg Vorbis. E, para não passar vexame, tenha a resposta na ponta da língua: trata-se de um novo padrão de compressão de música para distribuição na Internet, semelhante ao MP3.
Produzido pela Xiph.Org Foundation (pronuncia-se “zif”), uma organização não governamental internacional sem fins lucrativos, o novo padrão promete gerar arquivos de tamanho menor e com mais qualidade do que seus concorrentes diretos, especialmente o MP3.
Mas a principal vantagem está no fato de que os “codecs” Ogg Vorbis, que são os programas básicos usados para codificar e decodificar músicas no novo formato, são gratuitos. O que não ocorre com os “codecs” MP3, já que o formato está protegido por uma série de patentes internacionais e alguns dos detentores, como o grupo de tecnologia alemão Fraunhoffer Iis, cobram royalties pelo seu uso.
Isso pode soar como uma grande novidade para quem está acostumado a baixar da Internet players gratuitos compatíveis com MP3, como o Winamp, o RealOne ou mesmo o Windows Media Player. Mas saiba que, quando você ouve uma música em MP3, nos bastidores alguém está pagando pela sua diversão. Como o padrão Ogg Vorbis é totalmente gratuito, a tendência é que, ao longo do tempo, o formato venha a ser largamente aceito na Internet.
O movimento já começou. A Nullsoft, produtora do player Winamp, um dos mais populares da rede, já incorporou o formato Ogg Vorbis como um dos padrões de áudio compatíveis na sua versão mais recente, (disponível em http://www.winamp.com/). Se utilizado com o plug-in CD Ripper 2 (à disposição no mesmo site), permite que você transforme e armazene seus CDs de música no formato.
Outro passo importante para o formato foi dado recentemente, quando a Xiph.Org e a Real Networks firmaram uma parceria tecnológica que culminará com a inclusão do formato tanto no player RealONe quanto nos servidores de música por streamming, cobrindo uma base de 285 milhões de usuários registrados em todo o mundo.
Som na caixa
Apesar do nome esquisito, o formato Ogg
Vorbis tem duas virtudes: os arquivos gerados são um pouco menores, e a
qualidade é compatível com a dos concorrentes.
A revista Vídeo Som & Cia
comprimiu um CD de 41 minutos nas mesmas condições de qualidade nos formatos Ogg
Vorbis (.OGG), MPEG Layer 3 (.MP3) e Windows Media 7 (.WMA).
Os arquivos .OGG ocuparam 41.7 MB, cerca de 7% a menos que os arquivos .WMA (44.5 MB) e 6% a menos que os arquivos .MP3 (44.2 MB). No entanto, a operação foi mais demorada, levando 36 minutos contra 24 minutos do Windows Media e 22 minutos do MP3.
Na reprodução, a qualidade não decepciona. Aliás, as diferenças entre os três formatos são tão sutis que só podem ser percebidas se o computador possuir uma placa de som de alta qualidade e estiver conectado a um sistema de som de alta fidelidade.
Na prática, todos os formatos prometem qualidade de CD, mas estão um pouco longe disso. Todos eles “abafam” o som, diminuindo a profundidade do campo sonoro e também a sensação de estéreo. O mais fiel ao campo sonoro criado pela gravação original é o formato gerado pelo Windows Media, que também tem boa fidelidade de graves, médios e agudos. O mais abafado é o MP3, com o agravante de perder brilho nos agudos. Já o formato .OGG perde um pouco de brilho dos agudos e os graves não são tão contundentes, mas a reprodução de médios (a voz humana, por exemplo) é excelente.
Outro aspecto importante é que todos os formatos comprimidos apresentam distorções quando se aumenta o volume pra valer, ao contrário do som original, que agüenta muito mais “gás”. O primeiro a distorcer é o .MP3, seguido do Windows Media. Músicas .OGG têm um pouco mais de fôlego. E isso, por si só, já é um excelente motivo para que você adote o formato.
Para saber mais: http://www.xiph.org/
Para obter programas
compatíveis e músicas .Ogg: http://www.vorbis.com/
codecs http://www.illiminable.com/ogg/